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H-orizontes

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30
Set19

"Amor de Perdição" - Camilo Castelo Branco

Helena

amor de perdição.jpg

Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, é uma tragédia romântica de leitura obrigatória para o 11º ano.

Esta história remete-nos para a realidade dos finais do século XVIII e inícios do século XIX, época em que se desenrola a fatídica história de amor de Simão Botelho e Teresa Albuquerque. Estes dois apaixonados, filhos de famílias rivais viseenses, veem-se encurralados num destino de permanente separação a que parece que a vida os condena. Simão, filho do corregedor de Viseu, estudante em Coimbra, jovem violento e desequilibrado, conheceu Teresa a partir da janela do seu quarto, quando esta tinha apenas quinze anos. Mesmo tendo tentado manter a sua relação longe das atenções dos seus pais, as conversas que mantinham entre janelas foram descobertas, e aí começaram as sucessivas tentativas das famílias inimigas para separar os amantes, que tão persistentemente mantinham a sua fé no seu amor e nos sorrisos que a vida ainda teria para lhes dar. Desde ameaças de casamento entre familiares e de entradas num convento a homicídios, sentenças de enforcamento e dívidas saldadas, as peripécias que separam os enamorados sucedem-se, e as emoções fortes que as personagens transmitem atingem o coração de qualquer leitor.

Este livro é dos mais tristes, se não mesmo o mais triste, que eu li até agora. No início, fiquei de pé atrás ao deparar-me com a linguagem e construção frásica específica deste autor e desta época. Considerei-a difícil e tinha de ler muito devagar e repetidamente para perceber o significado das frases. Felizmente, essa estranheza passou e, por volta do meio do livro (que é bastante pequeno), já estava habituada e consegui ter uma leitura mais fluida. Esta edição (1ª edição na Livros do Brasil) contém prefácios da segunda e quinta edições, escritos pelo autor, que me deixaram muito confusa logo ao princípio, e por isso aconselho a não ler. Comecem pela introdução, esta muito importante para a contextualização da obra e para a consciencialização de que se trata (angustiantemente) de uma história verídica. Devido à linguagem pouco percetível, à história linear ou ao ambiente criado, não me pareceu inicialmente que fosse a tal obra-prima de que falavam, um clássico imperdível que constitui por si só uma obra de arte e é um ícone do romantismo. Na verdade, só no fim da obra percebi a dimensão sentimental e psicológica desta história, que me deixou verdadeiramente abalada, embora já previsse que alguns acontecimentos iam ter lugar. É, de facto, um romance tocante, emocionante, comovente, enfim, como se costuma dizer, de fazer chorar baba e ranho. Instigo, mais uma vez, os leitores a não desistirem deste livro no primeiro contacto com ele. Acreditem, o melhor está no fim.

Uma tragédia linear em enredo e complexa em vocabulário, que teve um impacto em mim que não esperava, de todo.

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