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H-orizontes

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07
Mar21

"The Go-Between" – L. P. Hartley

Helena

gobet.jpg“The past is a foreign country: they do things differently there.”

Leo Colston, um inglês de sessenta anos, é atingido por uma onda de recordações quando encontra, entre os objetos que guardou da sua adolescência, o seu antigo diário. Depois de recordar o seu fascínio pelos signos do Zodíaco e as maldições fantasiosas que conjurava nos tempos da escola, Leo conduz-nos até ao cerne da narrativa: a sua estadia em casa do seu amigo Marcus no verão de 1900.

No passado que o narrador revisita, o quotidiano de Marcus difere grandemente daquele a que estava acostumado, fruto da categoria social superior do amigo, e o protagonista esforça-se a fim de se incluir no novo meio. Entre idas à missa, banhos no rio e jogos de cricket, Leo vai-se inteirando dos laços que unem os habitantes de Brandham Hall e os seus visitantes, entre os quais o noivado entre Lord Trimingham, um mutilado de guerra descendente de viscondes, e Lady Marian, a irmã de Marcus. A paixão e devoção cegas que Leo nutre por Marian levarão a que ele não hesite em agilizar a troca de cartas entre ela e Ted Burgess, um agricultor da vizinhança, função que acabará por encurralá-lo num dilema inesperado, com um segredo nas mãos.

Este livro fazia parte do currículo de inglês do 12º ano, na altura em que o meu pai estava no Secundário. Assim, esta leitura partiu da minha vontade de, através da partilha de uma experiência, me “unir” ao meu pai de dezoito anos e fechar uma espécie de círculo. Missão cumprida :)

O primeiro aspeto que me surpreendeu em The Go-Between foi a sua complexidade. Pensava que seria um livro bastante acessível, mas a escrita revelou-se mais intrincada do que a de To Kill A Mockingbird, que eu já considerava um pouco difícil. Como sempre, acabei por me adaptar ao registo à medida que avançava na leitura – o que não impediu que me visse obrigada a reler certos excertos variadas vezes até lhes conseguir encontrar o sentido.

Este livro não é particularmente entusiasmante, mas encerra considerações importantes relativamente à inocência na infância, à incompreensão mútua entre adultos e crianças, à pureza das intenções dos mais pequenos e à manipulação de que, por isso mesmo, podem ser vítimas.

Acompanhando-o ao longo do verão escaldante em que teve lugar o seu décimo terceiro aniversário, testemunhamos a tomada de consciência de Leo acerca dos podres da sociedade e da vida adulta, e o seu desencanto face à hipocrisia e maldade que rebentam a bolha da sua ingenuidade.

“Once a go-between never a go-between”

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