Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

H-orizontes

H-orizontes

19
Jan23

“84, Charing Cross Road” – Helene Hanff

Helena

84-Charing-Cro-Road.jpg

Helene Hanff é uma guionista nova-iorquina com um gosto peculiar por literatura britânica, frequentemente indisponível nas livrarias americanas que frequenta. Um dia, um anúncio num jornal apresenta-lhe a alternativa que lhe permitirá aceder aos livros que deseja comprar, sem ter de pagar por eles um preço exorbitante: Marks & Co., uma livraria especializada em antiguidades sedeada em Londres, 84 Charing Cross Road.

A correspondência que inicialmente se destinava unicamente à encomenda de livros acaba por se estender no tempo e no significado, tornando-se um meio de convivência entre Helene e os trabalhadores da Marks & Co, principalmente Frank, responsável pela maior parte da sua correspondência. Nasce, assim, uma amizade que se perpetuará durante muitos anos, marcada por pedidos rebuscados, pedidos de visitas e trocas solidárias numa altura em que o Reino Unido enfrentava as consequências de uma guerra em solo europeu.

84, Charing Cross Road não me conquistou como pensava que faria. Esperava que a relação entre Helen e a livraria fosse mais sólida, mais consistente e construída de uma forma mais continuada do que aquela que as cartas (aquelas que não foram suprimidas) testemunham. Ainda assim, é certo que a construção desta amizade aconteceu, já que esta é a história de como a autora deste livro estabeleceu uma forte ligação com os livreiros que lhe forneciam os livros de que ela tanto gostava, em especial com Frank, falecido antes de ela poder visitá-lo em Londres. É curioso notar como a casualidade brincalhona da escritora americana vai enfraquecendo e contaminando a frieza britânica das cartas iniciais de Frank.

A este romance epistolar segue-se, na edição da Virago Press, The Duchess of Bloomsbury Street, um registo diarístico da estadia da autora no Reino Unido, um sonho realizado após a publicação e imenso sucesso de 84, Charing Cross Road. Penso que esse seguimento será de maior interesse para alguém que conheça as realidades inglesa ou nova-iorquina, caso contrário é difícil ter a perceção das diferenças culturais que espantam a autora e, principalmente, dos locais que descreve com tanto entusiasmo. Para além disso, com tantos convites para jantares, visitas e entrevistas, acabei por me perder por entre a grande quantidade de nomes daqueles que acompanharam Helene Hanff em determinados dias da sua estadia.

Assim, apesar de não me ter fascinado, 84, Charing Cross Road é um livro reconfortante que serve de testemunho do poder dos livros nas relações interpessoais e nas reviravoltas da vida.

10
Mai22

“O Clube dos Suicidas” – Robert Louis Stevenson

Helena

WhatsApp Image 2022-05-10 at 20.03.03.jpeg

Estes três contos interrelacionados apresentam-nos a perturbadora aventura de um príncipe libertino e do seu cúmplice, na Londres do século XIX. Numa das noites em que saiu às escondidas do seu palácio para uma noite de diversão com o Coronel Geraldine, o príncipe Florizel encontra num bar uma figura bizarra que o levará ao serão mais estranho da sua vida. Um rapaz vendia pastéis de nata, afirmando ser a última vez que o faria, não por ter sido despedido, mas porque pretendia acabar com a própria vida nessa mesma noite. Face à surpresa dos homens do palácio, o rapaz revela-lhes a sociedade que lhe possibilitará o cumprimento da sua vontade, sem que ele tenha de se responsabilizar pelo fim da sua existência: o clube dos suicidas.

Este clube consistia numa reunião de homens desesperados por acabar com a sua vida, que se sentavam à volta de uma grande mesa enquanto o presidente do clube distribuía cartas. Quem ficasse com o ás de espadas morreria, e o assassino seria aquele que recebesse o ás de paus. Fascinado e horrorizado simultaneamente por este conceito, o príncipe Florizel convence o seu amigo a juntar-se com ele ao clube dos suicidas.

Até que ponto poderá o príncipe confiar na sua sorte? E conseguirá o presidente do clube dos suicidas manter-se imune às consequências da liderança de uma organização com fins tão terríveis?

Encontrei este livro por acaso, enquanto procurava outro livro de Stevenson, e a sua sinopse cativou-me de imediato. É tão original que, assim que encontrei o livro, comecei a lê-lo. Como é curto e pouco denso, demorei pouco tempo a chegar ao fim da história. No entanto, muito acontece ao longo deste pequeno número de páginas, e tive de voltar ao início para conseguir ligar alguns fios do mistério.

Esta edição da Bookcover Editora não é, de longe, tão boa como a de Madame Bovary. Apesar de ser muito mais curto, este livro apresenta mais gralhas e menos rigor na sua tradução. Mesmo assim, não foi impeditivo para a compreensão e fruição do texto.

Apesar de não ser um livro fascinante, O clube dos suicidas prendeu-me do início ao fim pela originalidade do seu enredo e pelos sucessivos plot-twists da ação.  Assim sendo, recomendo este tesourinho a todos os que precisarem de uma leitura curta para escapar ao “rame-rame” do quotidiano.

Mais sobre mim

Arquivo

    1. 2023
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Pesquisar

Bem vindo

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.