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H-orizontes

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30
Mar23

“A morte de Ivan Ilitch” – Lev Tolstoi

Helena

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A morte de Ivan Ilitch inicia-se com a notícia da morte enunciada no título e com as consequentes preocupações dos familiares de Ivan Ilitch relativamente à sua herança e dos seus colegas de trabalho sobre as novas posições que este acontecimento os levaria a ocupar na hierarquia laboral. Através de uma analepse, recuamos no tempo até à juventude de Ivan Ilitch e acompanhamos a sua consistente subida de postos nos trabalhos que desempenhava, através de métodos mais ou menos honestos que, a seu ver, eram apenas necessários. Após uma nova promoção, uma melhoria na relação com a sua esposa e o início do processo de mudança de casa, tudo parecia promissor na vida de Ivan Ilitch. Contudo, uma queda inesperada durante as mudanças desencadeia um processo de degradação inesperada na sua pessoa. Inicialmente focado na determinação da fonte da dor que sentia e do seu tratamento, Ivan Ilitch cai gradualmente no desânimo e na descrença e acaba por aceitar aquilo que lhe parece óbvio e inevitável: o seu mal não corresponde a um problema orgânico específico, mas sim à chegada certa e gradual da hora da sua morte. Desacreditado pela família e incompreendido pelos médicos, Ivan Ilitch envereda por uma descida em espiral que o levará a reavaliar toda a sua vida e a questionar a noção terrível da morte que persegue os Homens desde tempos imemoriais.

“a própria morte de um conhecido próximo provocava, como sempre, um sentimento de alegria: quem morreu foi ele, e não eu.”

Evidenciando a solidão a que é votado um ser humano vítima de uma degradação física e psicológica de que não tem culpa, Lev Tolstoi explora realidades que Kafka retoma na sua Metamorfose, em que Samsa, transformado em escaravelho do dia para a noite, se vê repentinamente ostracizado e desprezado pelos seus próprios entes familiares.

Através de um estilo desprovido de figuras estilísticas que o embelezem, mas também que o enfraqueçam, Tolstoi constrói um retrato cru e comovente da descida de um homem às profundezas de si próprio, ao seu passado e às suas crenças.

Este é um livro profundo na sua simplicidade, uma reflexão sobre as relações interpessoais, sobre a vida e sobre a morte, que se pode ler de uma assentada.

01
Jun20

“Um desejo não muda nada. Uma decisão muda tudo!” - A rede concetual da ação

Helena

“Um desejo não muda nada. Uma decisão muda tudo!”

Esta afirmação insere-se convenientemente na rede conceptual da ação, uma vez que retrata claramente duas das suas etapas: o projeto (desejo) e a decisão.

A primeira, como referido, “não muda nada”, ou seja, o projeto da ação trata-se apenas daquilo que se pretende ser ou fazer quando agimos. A idealização da ação antecede a sua deliberação e a tomada de uma atitude e, sendo assim, o seu impacto é nulo quando essas etapas não a sucedem.

Depois de se formular um desejo, segue-se a fase da deliberação, um processo reflexivo através do qual se ponderam as razões que suportam o nosso projeto. Após a análise dos prós e contras que derivam da nossa ação, com recurso à reflexão e à racionalidade, chega-se ao momento da decisão, na qual determinamos agir ou não, em função dos motivos apresentados e do alcance e capacidade de realização da ação pelo agente. Partimos, assim, da nossa liberdade para decidirmos o que fazer, conscientes de que a nossa tomada de atitude trará consequências com que teremos de lidar. Por isso, afirmamos que “uma decisão muda tudo”, pois, a partir do momento em que passamos do domínio da deliberação para o domínio do agir, as consequências disso são incontroláveis e a mudança em nós ou no que nos rodeia é imediata e irremediável. Com a passagem da intenção ao ato, na execução, assumimos a responsabilidade por ele e por nós próprios, com consciência das consequências da ação para quem a pratica e para quem está direta ou indiretamente envolvido nela.

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Concluindo, a afirmação “Um desejo não muda nada. Uma decisão muda tudo!” insere-se na rede conceptual da ação, sintetizando o facto de o desejo constituir apenas uma idealização da ação, enquanto que a tomada de decisão dita os efeitos que ela terá ao ser praticada.

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