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H-orizontes

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09
Mai20

"O Crime do Padre Amaro" - Eça de Queiroz

Helena

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Amaro Vieira, um jovem clérigo recentemente saído do seminário, assume o cargo de pároco em Leiria. Criado pela marquesa de Alegros, e por sua vontade introduzido na vida religiosa, Amaro é acompanhado desde cedo por uma vocação frágil e por emoções fortes e irreprimíveis.

Quando consegue uma posição na paróquia de Leiria, após uma temporada na austera Gralheira, o padre fica alojado em casa da S. Joaneira, por recomendação do cónego Dias. Amaro é muito bem recebido e rapidamente se habitua à sua nova rotina, assim como se inteira da vida social de Leiria, maioritariamente graças às reuniões noturnas em casa da S. Joaneira.

Tudo teria corrido bem, não tivesse a dona da casa uma filha, a Ameliazinha, uma bela rapariga na flor da idade que capta a atenção de Amaro e conquista o seu coração. Apesar de se encontrar comprometida com João Eduardo, também em Amélia desabrocha uma forte afeição pelo pároco. Quando o noivo de Ameliazinha publica um comunicado repleto de críticas mordazes ao clero e ataca o padre Amaro, o seu noivado é desfeito e ele vê-se obrigado a abandonar a cidade. Apesar dos seus deveres enquanto clérigo, Amaro não resiste à paixão por Amélia e engendra um estratagema que lhe permitirá encontrar-se com ela sem o conhecimento da população leiriense. Mas conseguirá o pároco manter-se livre de ser castigado pelos seus pecados?

Apesar de encerrar uma forte crítica às mentalidades da época, à corrupção e ao pecado no seio da Igreja e à hipocrisia na política e nas relações públicas, esta obra baseia-se simplesmente num amor proibido entre um pároco e uma rapariga do povo, marcado pelas contrariedades que lhes são impostas pelos dogmas religiosos e pela sociedade. Achei o enredo e respetivo desfecho bastante previsíveis e a crueza dos relatos de Eça contribuiu para que não achasse esta história particularmente cativante.

No entanto, admiro a capacidade do autor de transferir para as páginas a essência da sociedade do seu tempo e de retratar, com muita ironia, os seus muitos aspetos reprováveis. Enquanto que, n’ Os Maias, o foco da crítica é a classe burguesa e aristocrata, este romance ataca os meandros do clero, a fraqueza intelectual dos estratos populares e a sua falta de espírito crítico.

Somos, mais uma vez, confrontados com o papel fulcral da educação na formação do caráter de um indivíduo, tanto na figura de Amaro, que cresceu rodeado de mulheres, como na de Amélia, habituada desde cedo à presença de membros do clero na sua residência.

Em resumo, apesar de não me ter fascinado, gostei deste livro, uma obra ótima para aprofundar o conhecimento acerca da sociedade oitocentista (o que é uma mais-valia para os estudantes de História do 11º ano) e espicaçar o espírito crítico do leitor.

"Somos todos passageiros forçados da barca de Caronte."

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