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H-orizontes

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28
Jul19

"Os Maias" - Eça de Queiroz

Helena

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A célebre obra-prima de Eça atravessa três gerações no relato dos "episódios da vida romântica" da família Maia.

Após a descrição do abandonado Ramalhete e da sua posterior renovação, recorre-se à analepse para se dar a conhecer o passado de Afonso da Maia, jovem liberal que emigrou para a Inglaterra, casou e teve um filho, Pedro da Maia, fraco e sensível. Em Portugal, e já crescido, Pedro apaixonou-se por Maria Monforte e casou com ela, contra a vontade de Afonso. Anos depois, já com dois filhos, Maria traiu Pedro e fugiu, deixando-o com o filho Carlos em Lisboa. Depois da morte de Pedro, Afonso da Maia ficou responsável pela educação do seu neto Carlos, rígida e exigente, na residência de Santa Olávia, que só deixaram após a conclusão dos estudos de Carlos em Coimbra, mudando-se para o Ramalhete, em Lisboa. É na capital que a ação central se desenrola, envolvendo os amigos de Carlos e Afonso. João da Ega tem um caso com Raquel Cohen, organizam-se corridas de cavalos, jantares de convívio, como o do Hotel Central. É neste jantar que Carlos vê pela primeira vez a senhora de pele ebúrnea e busto de deusa que lhe toma o coração.

É um cruzar de experiências, histórias passadas e desejos presentes, que tem um desenrolar fluído e um desfecho inesperado.

Este livro superou as minhas expectativas. Os rumores sobre Os Maias são de que é "uma seca", que "tem muita descrição", que "é basicamente incesto consentido". Posso dizer com prazer que não podia estar mais longe disso. A descrição concentra-se no primeiro capítulo, com a apresentação do Ramalhete. É uma descrição simbólica e agourenta, e além disso essencial para podermos visualizar corretamente os episódios que decorrem na casa. De resto, o livro que esperava que fosse muito complexo, denso e de difícil compreensão revelou-se simples e cativante, muito bem escrito, com um vocabulário variado, utilizando palavras que conhecemos mas que não usamos com regularidade, o que, a meu ver, aumenta ainda mais a sua magia. Outro ponto positivo a apontar é o facto de ficarmos a saber o destino de todas as personagens, não deixando aquela dúvida de "O que será que lhe aconteceu?". É certo que tem episódios algo aborrecidos, mas são compensados pelos diálogos irónicos, pelas descobertas inesperadas e pela emoção que Eça faz transparecer através da sua escrita. O final não foi aquele que esperava, o que não quer dizer que não tenha gostado. A corrida de Carlos e Ega em contraste com a calma que tinham estabelecido na sua conversa faz com que o leitor feche o livro a sorrir. 

Uma obra clássica e simultaneamente fortemente atual, que não nos deve intimidar pelo seu número de páginas. Recomendo a 100%!

Para uma análise integral da obra, clique aqui.

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