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H-orizontes

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05
Dez21

“Mayflies” – Andrew O’Hagan

Helena

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Escócia, 1986. Jimmy, Tully e os seus amigos preparam-se para viajar até Manchester, onde decorrerá um festival de música com as suas bandas favoritas. À sua volta, o Reino Unido governado pela mão de ferro de Tatcher: despedimentos, greves, privatizações, pobreza, desemprego. Os rapazes, no auge da juventude e cheios de convicções revolucionárias, fazem da viagem a Manchester uma jornada inesquecível que unirá as suas vidas para sempre.

Trinta e um anos depois, em 2017, Jimmy recebe uma chamada inesperada de Tully, que lhe transmite notícias ainda mais inesperadas: um cancro espalhava-se pelo seu organismo. Com o tempo de vida drasticamente reduzido e as perspetivas de uma morte lenta e dolorosa, Tully conta com Jimmy para o ajudar a viver alegremente os últimos meses e a encontrar uma alternativa à horrível degradação que sabia que o seu corpo acabaria por sofrer.

“Think where man’s glory most begins and ends,

And say my glory was I had such friends.” (William Butler Yeats – epígrafe)

“Não julgues um livro pela capa”, costumam dizer. Confesso que julguei este livro pela capa, tendo sido por ela que me apaixonei em primeiro lugar. Depois de ler Mayflies, sei que a alegria pujante da juventude que emana da fotografia que lhe serve de rosto se adequa perfeitamente ao conteúdo do romance.

O Scotsman descreve este livro como “Life-enhancing”, e esta parece-me a palavra mais apropriada para o qualificar. Para além de enaltecer a juventude enquanto período de irreverência e de diversão irrefletida, Mayflies deixa-nos com uma sensação de urgência em relação à vida, com uma maior consciência do tempo que passa sem que se dê por isso e da fragilidade e impotência do ser humano. Com tantas imprevisibilidades incontroláveis “ao virar da esquina”, urge viver o momento em toda a sua intensidade, procurar experiências fora da nossa zona de conforto e lutar por aquilo em que acreditamos. Afinal, “a vida são dois dias e um já passou”.

Apesar de não me ter cativado o suficiente para o considerar, como Colm Tóibin, “Unforgettable”, considero este romance particularmente relevante pelo retrato da juventude numa altura de crise económica e pelo retrato da vida adulta num contexto de doença. Pela forma como sublinha o valor da individualidade, capta o fenómeno do crescimento e apresenta a morte não só como um destino, mas como uma oportunidade, uma luz ao fundo do túnel. 

Moral da história: Carpe Diem.

“being young is a kind of warfare in which the great enemy is experience.”

“The past isn’t really the past, (…) It’s just music, books, and films.”

 

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