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H-orizontes

H-orizontes

16
Jun22

“Os Rapazes de Nickel” – Colson Whitehead

Helena

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Na Florida da década de 1960, Elwood Curtis, um rapaz negro, dá os primeiros passos numa vida destinada a algo maior. Inspirado pelos discursos de Martin Luther King Jr, Elwood sonha com o dia em que pessoas como ele vão poder fazer tudo aquilo a que os brancos têm direito: ir a parques de diversões, sentar-se em qualquer restaurante, frequentar qualquer estabelecimento de ensino.

No dia em que iniciaria o seu percurso na universidade que o tinha aceitado como estudante de literatura, a vida de Elwood sofre uma reviravolta. O condutor a quem ele tinha pedido boleia é parado pela polícia por ter roubado o carro que conduzia. Acidentalmente envolvido num crime que não podia ter previsto, Elwood é encaminhado para o reformatório Nickel.

Quando chega ao reformatório, o rapaz sente um certo alívio ao constatar que os rumores sobre a realidade terrível na Nickel não passavam de boatos: tudo parecia ordeiro e pacífico. Contudo, Elwood não tarda a descobrir que, sob a fachada de eficácia, se estende uma rede de violência e abusos sistemáticos. Na companhia de Turner, Elwood suporta o dia a dia no reformatório, lutando entre a obediência relutante que lhe concederia uma redução da pena e a consciência de que baixar a cabeça era uma traição à luta pela igualdade. Seria possível que as palavras do reverendo King acerca da força do amor sobre a violência não passassem de uma utopia?

“Cresci com rapazes como vocês, brancos e de cor, e sei que vocês são como eu, mas tiveram azar.”

Os Rapazes de Nickel foi vencedor do Pulitzer Prize de ficção em 2020. Baseado numa história verídica, este livro transporta-nos para a realidade do sul dos Estados Unidos numa altura em que, ainda que ilegal, a segregação e a discriminação continuavam a marcar o convívio entre raças. Através de um relato simples, mas extremamente impactante, este romance tem o poder de desencadear no leitor um forte sentimento de revolta. A sua força reside nas palavras não ditas, nas descrições por fazer, no mundo que se esconde no silêncio onde ecoam as vozes daqueles que não puderam ser ouvidos.

Para além de abordar a questão do racismo, tão relevante no passado como nos nossos dias, Os Rapazes de Nickel é um registo do impacto da segregação a longo prazo. Dos atos de violência arbitrária e humilhação sistémica resultaram milhares de vidas arruinadas, marcadas pela dor e pelo medo, perdidas nos meandros de um sentimento de inferioridade que lhes tinha sido impingido como um dever. Esta não é só uma história sobre a América sulista e a comunidade negra durante o movimento dos Direitos Civis, é também uma história sobre a herança racista e as tradições conservadoras que se mantêm até hoje.

Por último, mas não menos importante, este romance é rematado por um plot twist fenomenal que me deixou boquiaberta.

Assim, Os Rapazes de Nickel soma-se à lista de livros que recomendaria a toda a gente, tanto pela genialidade da sua construção narrativa como pela importância cada vez maior de aprendermos com as nódoas da História.

11
Jun22

“O Grande Gatsby” – F. Scott Fitzgerald

Helena

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Este clássico da literatura americana tem por narrador Nick Carraway, a quem a promessa da prosperidade de Wall Street levou a que se mudasse para Nova Iorque, para trabalhar como corretor da bolsa.

Na vizinhança da sua pequena vivenda em West Egg, existe uma residência palaciana, cuja ostentação atrai pessoas da alta sociedade para as mais extravagantes festas. O seu dono, Jay Gatsby, é um homem charmoso que poucos conhecem. Mesmo aqueles que sabem quem ele é desconhecem as suas verdadeiras origens e o caminho que percorreu para construir a riqueza abismal que ostenta nas noites de folia.

Era costume que a casa de Gatsby fosse frequentada por celebridades que não eram convidadas: as pessoas apareciam e usufruíam das maravilhas que a mansão tinha para oferecer. No entanto, certo dia, Nick recebe um convite para uma das festas do galã, e fica fascinado pela sua figura jovial e afável. Com o passar do tempo, acabam por estabelecer uma relação de amizade, ainda que povoada pelo fantasma do passado incógnito de Gatsby. Nick apercebe-se de que as extravagâncias dos festins do milionário não passam de uma fachada de ostentação que esconde uma alma apaixonada que vive em função de um único sonho: recuperar o amor de Daisy, uma jovem que vive numa casa diametralmente oposta à dele, do outro lado do lago de Long Island. Para isso, conta com a ajuda de Nick e com a crença firme de que o passado é um sítio ao qual é sempre possível regressar.

Não consegui perceber o porquê de este ser considerado um dos maiores ícones da literatura americana do século passado. Dados os profusos elogios feitos por leitores ingleses à escrita de Fitzgerald, atribuo à tradução desta edição da Clássica Editora o motivo da minha desilusão.

Apesar de ter apreciado a história enquanto lia, assim que pousava o livro não conseguia lembrar-me do que tinha acontecido, como se não passasse de uma narração superficial de factos mais ou menos irrelevantes. A versão cinematográfica de O Grande Gatsby, por seu lado, pareceu-me muito mais expressiva e marcante na representação do desenrolar da ação. Nesse sentido, recomendo vivamente que se complemente a leitura do livro com a visualização do filme.

Assim, apesar de reconhecer que este livro encerra um retrato rico da sociedade novaiorquina dos Loucos Anos 20, com a euforia coletiva, o ricochete da lei seca e o enriquecimento por meios obscuros, não se traduziu numa experiência de leitura particularmente marcante.

01
Jun22

"Animal Farm" - George Orwell

Helena

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There once was a farm called Manor Farm, which was owned by Mr. Jones, a drunk rustic man. One night, after he went to sleep, the animals gathered in the big barn. They had been called by Major, an old pig who had a message to deliver before his death: as all the animals should know, none of them was free, and all of them were exploited for the man’s profit only. Therefore, he would like them to rebel against the human dominion. In his words, “All men are enemies. All animals are comrades.”. After old Major died, the animals started preparing for a rebellion. The pigs, generally known as the most intelligent of farm animals, were responsible for its organization. They struck the rebellion after Mr. Jones came home drunk one night and forgot to feed them. The animals attacked the house and the humans inside it, expelling them from the farm and taking control of it. From then on, all the traces of Jones’ presence must be eradicated, and the rules of Animalism were established and published:

            "Whatever goes upon two legs is an enemy.

            Whatever goes upon four legs, or has wings, is a friend.

            No animal shall wear clothes.

            No animal shall sleep in a bed.

            No animal shall drink alcohol.

            No animal shall kill any other animal.

            All animals are equal."

It all seemed perfect in the beginning. The productivity increased, they had plenty of food and the animals were happy. However, as time went by, the dream of equality started to crumble. Napoleon, the most radical and cruel of the government structure, had Snowball expelled for alleged attempts of sabotage. After that, the situation on the farm grew harder and harder, except for the pigs, who unexpectedly seemed to be getting fatter and fatter. After all, Animalism’s seven commandments soon started to change. “No animal shall sleep in a bed with sheets”, “No animal shall kill any other animal without cause”. Can the dreams of an equal society ever really come true?

This book is a genius work from Orwell, once he managed to perfectly represent the evolution of the communist revolution within the limits of a British farm. “Animal Farm” is a huge allegory of the Russian Revolution and all its flaws. That was what I found more intellectually appealing about it. The thing that worked better for me was the way Orwell depicts each animal species as a specific group of society: the sheep represent the easily-carried and light-minded people that follow everything they are told to do; the donkey stands for the ancient people who no longer let themselves be carried by the enthusiasm of a promising revolution; the pigs are the symbol of the emerging upper class corrupted by power, and so on.

Considering the impeccable way it portrays one of the most remarkable periods of History without letting down the readers that are just looking for a good story to enjoy themselves, I honestly wouldn’t change anything about it.

That being said, I would certainly recommend this book to everyone (and I actually do recommend it often), young or old, being aware or unaware of the Russian History, because even if you don’t understand the range of this book’s criticism, you can certainly understand the way it targets totalitarian regimes and abuses of power.

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