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H-orizontes

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29
Nov21

“Quem disser o contrário é porque tem razão” – Mário de Carvalho

Helena

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Neste ensaio galardoado com o prémio P.E.N. Clube 2015, Mário de Carvalho, figura de destaque na atual paisagem literária portuguesa, decompõe a criação literária nos seus vários componentes e guia o leitor através das “camadas” que compõem um texto literário. Desde a importância da perspetiva da narração à necessidade de estabelecer a ambiguidade perturbadora indissociável da boa literatura, são abordados os pontos-chave e os conceitos fundamentais para uma compreensão mais aprofundada do fenómeno de criação de uma narrativa de ficção.

Este livro demarca-se da maior parte dos guias para aspirantes a escritores por se recusar a dar instruções como as daqueles que encaram a escrita como um processo linear. O próprio título reflete a posição do autor relativamente ao conteúdo deste ensaio: pode ser que quem diga o contrário também tenha razão, já que o exercício pode ser levado a cabo das mais diversas formas.

“Pensar que se fica apto a escrever depois de ler um compêndio de escrita criativa é o mesmo que julgar que se passa a dominar uma língua após ter comprado um dicionário.”

Este livro foi-me recomendado pela minha professora de Introdução aos Estudos Literários, pela sua relação com os conteúdos lecionados na cadeira. Assim, a minha leitura não foi feita na perspetiva de quem pretende escrever um livro, mas na de alguém que pretendia compreender alguns conceitos e princípios que alicerçam o mundo da literatura. Chegada ao fim deste ensaio, posso afirmar que este cumpriu o seu objetivo: reconheci nestas páginas conceitos com que já tinha contactado em contexto de aula, e fiquei a conhecer outros que certamente me serão muito úteis ao longo do semestre.

Apesar de se tratar de um ensaio muito acessível ao público em geral, dada a simplicidade das explicações do autor acerca de conceitos técnicos, considero-o ligeiramente elitista. Isto porque Mário de Carvalho recorre à enumeração de inúmeros exemplos de obras literárias para ilustrar as suas explicações, partindo do princípio de que o leitor é já um grande conhecedor dos grandes clássicos. Em todo o caso, estes exemplos abrem caminhos para novas leituras.

Em conclusão, Quem disser o contrário é porque tem razão é um ensaio esclarecedor e enriquecedor, adequado tanto para aqueles que almejam conceber uma obra de ficção como para aqueles que procuram entender os meandros do mundo da literatura.

“A boa literatura liberta.”

“Dificilmente conseguirá ser inovador e original aquele que não considerar os outros.”

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