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H-orizontes

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24
Set21

“Noites Brancas” – Fiódor Dostoiévski

Helena

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Noites Brancas: fenómeno atmosférico que ocorre entre o final de maio e meados de julho, nas regiões próximas do Círculo Polar Ártico. Durante este período, o sol nunca se põe totalmente e o céu permanece brilhante durante toda a noite com uma luz semelhante à luz do pôr do sol.

O narrador de Noites Brancas, cujo nome desconhecemos, é um residente de São Petersburgo que tem a sensação de conhecer intimamente todos os sítios e todas as pessoas, apesar de mal estabelecer relações com quem quer que seja. A atmosfera da cidade perturba-o e ele acalenta o desejo de imitar aqueles cujas posses lhes permitem abandonar o centro e passar uma temporada no campo.

Num dos seus passeios solitários pelas ruas de São Petersburgo ao fim do dia, o narrador depara-se com uma jovem que chora, encostada a um parapeito. Acometido por uma paixão avassaladora, não resiste a entabular conversa com ela, um diálogo que lhe permitirá confessar a angústia da solidão em que a sua vida está mergulhada e captar o interesse da rapariga, de tal modo que decidem voltar a encontrar-se. Ao longo de quatro noites, a história da jovem Nástenka vai-se revelando e arrastando o narrador para um conflito interior entre a importância da felicidade da rapariga e a dimensão do seu amor por ela, cuja reciprocidade se vê ameaçada por aquele que causara as lágrimas choradas por Nástenka na noite do seu primeiro encontro.

Noites Brancas é, como o subtítulo indica, um “romance sentimental”. Como tal, não é de estranhar que retrate o arrebatamento de um jovem perdidamente apaixonado. Sendo esse o objetivo primário do autor na construção desta história, o facto de eu não a ter apreciado dever-se-á, principalmente, à minha falta de inclinação para este tipo de enredos. De uma perspetiva realista, seria praticamente impossível que uma paixão desta amplitude fosse despoletada por um encontro tão curto e casual, ou que a jovem acedesse a reencontrar-se na noite seguinte com um perfeito estranho.

Por seu lado, o relato da história de Nástenka constitui a parte mais cativante do livro. O conceito de viver presa por um alfinete à saia da sua avó cega pareceu-me curioso, e pensei que a narrativa que até ali me aborrecia iria finalmente melhorar. Contudo, isso não aconteceu. A ação encaminhou-se para o desenlace e a personagem da ansiosa jovem deteriorou-se a olhos vistos, culminando num final tanto imprevisível como absurdo.

Assim sendo, penso que não foi a melhor maneira de me iniciar na literatura russa, em relação à qual tinha expetativas a que este livro não correspondeu. Uma história dominada pelo sentimentalismo, pelo exagero e pela bizarria que, a meu ver, falha ao tentar elevar o estatuto de um sonhador solitário, acabando por humilhá-lo.

07
Set21

A valorização das artes, enquanto dimensão fundamental de uma formação de base humanista

Helena

Quando pensamos no futuro da Humanidade, a nossa mente é imediatamente invadida pelas conquistas promissoras das ciências e da tecnologia: o desenvolvimento da inteligência artificial, a iminência da vida em Marte, a popularização dos carros elétricos. E a cultura? Na minha opinião, a valorização das artes está intimamente ligada ao progresso da Humanidade.

A expressão artística, desde a pintura à literatura, tem um impacto a longo prazo na formação humanista das gerações. A sua influência presente baseia-se na sua função crítica, através da chamada de atenção para os problemas atuais e para a consequente necessidade de alteração dos valores vigentes. Em "Os Maias", o autor expõe a sociedade lisboeta retrógrada, inculta e fundada em estruturas corruptas da Regeneração, pretendendo abalar os seus alicerces. Quanto ao impacto futuro, a arte é essencial para fomentar o espírito crítivo das gerações vindouras e evitar a repetição dos erros do passado. É nesse sentido que assistimos à proliferação de livros e filmes que abarcam temas como o racismo, a escravatura e o Holocausto.

Em segundo lugar, a valorização das tendências vanguardistas é fundamental para o progresso criativo e a alteração de mentalidades. O estímulo das vanguardas, pela sua ousadia na rutura dos cânones estabelecidos, equivaleria ao fomento da ambição e das capacidades de inovação das gerações no presente. É a sucessão de correntes artísticas, como o Romantismo, o Realismo e o Modernismo, juntamente com os princípios que as definem, que sustenta a metamorfose da matriz subjacente à sociedade ao longo dos séculos.

A valorização das artes surge, assim, como uma dimensão fundamental de uma formação de base humanista, uma vez que possibilita a interpretação crítica do passado e impulsiona o progresso futuro. Assim sendo, considero urgente a edificação da consciência artística na sociedade, a vinda do "Quinto Império" profetizado por Fernando Pessoa, um império espiritual fundado na cultura e no conhecimento. Nas palavras do poeta, "É a Hora!".

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(Exame de Português, 12º ano, 2021, 1ª fase)

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