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H-orizontes

H-orizontes

15
Out20

"Perguntem a Sarah Gross" – João Pinto Coelho

Helena

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1968, Shelton, Estados Unidos da América. Kimberly Parker, uma jovem professora de literatura, é recebida no Colégio St. Oswald’s por Sarah Gross, a diretora, a fim de se candidatar a um lugar no grupo docente. Graças ao período de modernização impulsionado pela nova diretora, Kimberly é aceite num dos colégios mais prestigiados do país e acompanha de perto o choque provocado pelas mudanças na instituição e a postura firme da reservada diretora em relação a elas.

1923, Oshpitzin, Polónia. Determinado a estabelecer-se na terra natal dos seus antepassados, Henryck Gross, juntamente com a sua mulher e a sua filha, regressa a Oshpitzin, a pequena cidade polaca cujo nome ficará gravado para a posteridade como Auschwitz. Graças à prosperidade da indústria familiar, os Gross desfrutam de uma vida estável e folgada na Polónia do pós-guerra. Com o passar dos anos, as ameaças à paz frágil acentuam-se: a Alemanha retoma a produção de material bélico, Hitler sobe ao poder, o respeito pelas minorias está longe de ser praticado e a tensão crescente é quase palpável.

Duas linhas temporais, aparentemente tão distintas, acabarão por se cruzar através de duas personagens, ícones da coragem, resiliência e força de caráter dos sobreviventes à barbárie nazi.

A construção deste romance resultou, nitidamente, de um estudo intensivo acerca dos períodos retratados. Assim sendo, constitui uma ótima oportunidade para obter ou aprofundar conhecimentos sobre o pós-1ª Guerra Mundial e a 2ª Guerra Mundial, algo particularmente relevante para os estudantes de História A, no 12º ano.

Chocou-me particularmente a ação alemã em relação aos professores universitários da Jaguelónica em 1939.

Paralelamente ao antissemitismo nazi dos anos 30 e 40, é retratado o racismo dos anos 60 e 70 nos Estados Unidos da América, personificado pela relação entre Dylan, filho de um candidato a senador conservador, e Justin, o primeiro aluno negro do Colégio St. Oswald’s.

As impressões que este livro me deixou são, no entanto, predominantemente negativas. Apesar de reconhecer que a reviravolta final está muito bem conseguida, alterando a perceção de grande parte do romance, penso que isso não compensa o tédio com que percorri a maior parte das suas páginas. O discurso não me cativou muito e, sobretudo, narrar através da primeira pessoa, numa linha temporal, e da terceira, na outra, não me pareceu a opção mais acertada. Penso que uma narração na terceira pessoa se adaptava perfeitamente a toda a narração.

Em retrospetiva, apesar dos picos de emoção e das aprendizagens que me proporcionou, esta leitura ficou aquém das minhas expectativas.

"(...) há sempre um mau prenúncio num brinquedo abandonado."

06
Out20

"O Poeta" e o Fingimento Artístico Pessoano

Helena

Marc Chagall, "O Poeta", 1911

No quadro “O Poeta”, de Marc Chagall, observa-se, em primeiro plano, uma figura humana, sentada a um bar e acompanhada por um gato. O plano de fundo apresenta-se difuso e acinzentado, enquanto que a cor vermelha, do lado direito da tela, e a azul, do lado esquerdo, destacam a ação principal: um homem que escreve num pequeno caderno, enquanto desfruta de uma bebida.

Este quadro está intimamente relacionado com os poemas de Fernando Pessoa que definem a teoria do fingimento artístico. O contraste entre as cores frias que preenchem o corpo do poeta e as cores quentes do ambiente que o envolve realçam o processo de intelectualização das emoções presente no processo criativo pessoano. A intensidade e espontaneidade das sensações que o atingem são esfriadas pelo filtro da imaginação, uma vez que o poeta se expressa racionalmente (daí o facto de a cabeça estar do avesso, posicionando o cérebro ao nível da boca), afastando o coração e a sua sensibilidade, como que a guardando no seu bolso.

Absorvido pelo processo de escrita e pela sua bebida (como seria, aliás, comum em Pessoa), o poeta encontra-se indiferente à vida exterior: à flor que desabrocha, ao gato que se aproxima e à fruta cortada abandonada no balcão. Para tal contribui, também, o facto de a perspetiva do poeta em relação ao que o rodeia diferir da das pessoas comuns, pois é como se observasse o mundo do avesso.

Esta obra de arte é, de facto, muito expressiva e rica em símbolos, cujos significados diferem de interpretação para interpretação. Conjugando dois campos da arte (a literatura e a pintura), Chagall aproxima-nos do processo de escrita e transmite ao observador a sensação de distanciamento do poeta em relação ao que o rodeia.

Face ao alcance indefinido da mente do poeta e à excentricidade do seu ponto de vista, talvez estejamos tão longe de o compreender realmente como o gato inocente e de índole quente que o observa com curiosidade.

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