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H-orizontes

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26
Out19

"O velho que lia romances de amor" - Luis Sepúlveda

Helena

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Este pequeno livro de Luis Sepúlveda encerra nas suas páginas uma história de amor pela Natureza, de gosto pela leitura e de repulsa à sobre-exploração de recursos e ao menosprezo por parte dos Homens em relação aos bens mais preciosos do nosso planeta: as florestas e a sua biodiversidade.

A narração inicia-se com mais uma visita do dentista Rubicundo Loachamín a El Idilio, uma pequena povoação no seio da Amazónia. Somos apresentados ao Velho a que se refere o título quando o dentista o encontra no cais para lhe entregar mais alguns romances de amor, de que Antonio Jose Bolívar Proaño (o Velho) tanto gostava. A conversa entre os dois é interrompida pela chegada do administrador de El Idilio, também conhecido por "A Babosa" (devido ao facto de suar abundante e continuamente) e pela notícia da morte de um "gringo", que tinha matado cinco crias de onça. É sob a ameaça dos ataques vingativos da onça fêmea que se desenrola a ação do livro, intrinsecamente ligado ao poder da astúcia animal e à força da Natureza, que o Homem se esforça por subjugar. Numa analepse, conhecemos a história de Antonio, o seu casamento com Dolores Encarnación del Santísimo Sacramento Estupiñán Otavalo, a dificuldade em conceber um filho, a vinda para a floresta e a morte de Dolores, vítima das febres da malária. Depois de enviuvar, Antonio Proaño adota o modo de vida dos shuar, "era como se fosse um deles, mas não era um deles". Graças aos ensinamentos dos shuar, o Velho conhece a floresta como a palma da sua mão, todos os seus ruídos, perigos e os comportamentos dos animais, e é por isso um dos escolhidos para colaborar na caça à onça enfurecida. Um livro tocante, emocionante e profundamente verde, que nos insere nas entranhas da Amazónia.

Este livro foi-me muito elogiado por um professor, que mo indicou como um must-read e uma experiência incrível de imersão numa cultura muito diferente da nossa. "O velho que lia romances de amor" é, de facto, isso e muito mais. Apaixonei-me, desde o início, pelo prefácio, no qual o autor narra a sua experiência na selva Amazónica em que se inspirou para este romance. A linguagem simples, o estilo atual, as palavras certas, as ideias-base e a sua expressão são cativantes e aconchegam o leitor. A situação que dá início à história é inesperada, a ação tem picos de adrenalina intercalados com uma calma tropical, as descrições são realistas e permitem-nos visualizar o que é narrado como se se tratasse de um filme. O conhecimento que o autor revela em relação às tribos da Amazónia e aos seus recantos é impressionante, e esse saber é-nos transmitido através de todas as letrinhas, que sintetizam o coração da floresta Amazónica e dos que lá habitam (quer humanos, quer animais). Por último, mas de modo nenhum menos importante, é um livro com uma forte mensagem ambiental, alertando-nos para a avassaladora desflorestação e destruição de habitats que o Homem tem levado a cabo a um ritmo terrível, deixando sequelas na vida de tantos seres. Com frases curtas e poderosas que fazem arder no peito a revolta, Sepúlveda capta a urgência do combate à sobre-exploração de recursos e à redução desmesurada da biodiversidade.

Um livro curto, acessível e que vale mesmo a pena.

05
Out19

"Frei Luís de Sousa" - Almeida Garret

Helena

Em pleno período de domínio filipino tem lugar a história de Madalena e Manuel, um casal que se juntou após a morte de D. João de Portugal, marido de Madalena, em Alcácer-Quibir.

Frei-Luís-de-Sousa.jpg

Manuel e Madalena têm uma filha, Maria, muito perspicaz e inteligente, prematuramente marcada pelas rosáceas nas faces que indiciam a tuberculose. Certo dia, chega ao casarão de Almada a notícia da vinda dos governadores de Lisboa, atacada pela peste, e da sua tenção de se hospedarem no palacete. Decidido a contrariar as vontades daqueles que mantinham o reino nas garras dos espanhóis, Manuel incendeia o seu casarão e foge com a família para o palácio que fora de D. João de Portugal. Uma vez no palácio, Madalena mergulha em receios, superstições e maus augúrios, numa inquietação constante e relação à estadia naquela residência. E é numa sexta feira, quando é deixada em casa na companhia de Jorge, seu cunhado, que Madalena se depara com o culminar dos seus presságios, quando um mendigo de longas barbas a visita para lhe anunciar que D. João de Portugal ainda vive…

Faço a este livro uma crítica predominantemente negativa, por várias razões. Em primeiro lugar, é um texto dramático, género que não aprecio muito. Seguidamente, não o achei muito interessante nem cativante, quer pelo enredo em si como pelos diálogos entre as personagens (que, claro, são a estrutura da obra). A história é muito simples e previsível, pelo que, mesmo que haja reviravoltas na ação, não causam um efeito de surpresa tão grande. Apesar de ser acessível, o final deixou-me um pouco confusa. Os pontos positivos são a construção frásica simples e o vocabulário de fácil compreensão. Para se entender bem este livro, é preciso ter, também, um bom conhecimento do contexto da época.

Independentemente disso, é uma obra de leitura obrigatória para o 11º ano.

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