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H-orizontes

H-orizontes

27
Jun19

"O Diário de Anne Frank"

Helena

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“O Diário de Anne Frank” transporta-nos para a realidade vivida pelos judeus escondidos durante a Segunda Guerra Mundial, dando-nos a conhecer o quotidiano de oito deles. A família Frank mudou-se para Amesterdão quando Anne tinha apenas quatro anos, e aí estabeleceu um modo de vida normal: as crianças iam à escola e o pai trabalhava. Com o começo do governo de Hitler, viram-se obrigados, como judeus, a cumprir as novas leis por ele impostas, ainda que os prejudicassem. Quando receberam a convocatória de Margot, a irmã de Anne, decidiram antecipar a mudança para o esconderijo, que estava prevista para dez dias mais tarde. A partir daí, somos confrontados com a dura realidade de uma família escondida, que tem de ter cuidado com cada ruído que faz, sempre com a chama do receio de ser descoberta acesa.

Com a chegada dos Van Daans e o acolhimento do Sr. Dussel, já se somam oito pessoas a viver no Anexo Secreto. Estar tanto tempo no mesmo espaço, sempre com as mesmas pessoas, origina as brigas que Anne também descreve no seu Diário. Entre pensamentos, esperanças, receios, paixões, zangas e dúvidas, somos envolvidos pelo mundo de Anne Frank e, de certo modo, tornamo-nos parte dele.

Eu achei este livro um pouco monótono, visto que a vida quotidiana num Anexo não pode variar muito.

No entanto, é interessante do ponto de vista histórico, pois descreve a vida dos judeus escondidos durante o Holocausto. É interessante comparar a vida difícil daquele tempo com o nosso quotidiano actual, pois hoje em dia penso que viver em circunstâncias como as dos judeus escondidos é para muitos inimaginável.

O Diário de Anne Frank retrata características da adolescência que, curiosamente, se mantiveram até aos dias de hoje.

Do ponto de vista literário, não é um livro de difícil compreensão, graças à utilização de um vocabulário simples e acessível.

É um livro que nos abre os horizontes e nos põe no lugar de Anne, que, como muitos outros, viveu uma vida de medo e receio e acabou por não sobreviver. Um “clássico” que atravessa gerações e deixa marcas nos leitores.

27
Jun19

"O Bosque dos Pigmeus" - Isabel Allende

Helena

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Este livro é o terceiro volume da trilogia de Isabel Allende “As memórias da Águia e do Jaguar”.

Nesta aventura, Alexander, Kate (a sua avó), Nadia (a sua amiga), Joel Gonzalez e Timothy Bruce (os fotógrafos) partem para o coração de África, após abandonarem os Himalaias, para mais uma reportagem para a International Geographic. Quando já tudo apontava para o fim da expedição, surge um padre espanhol que altera a sua rota: rumo a um bosque habitado por pigmeus, procurando dois missionários desaparecidos. Descobrem uma aldeia no bosque governada pelo rei Kosongo, pelo comandante Mbembelé e pelo bruxo Sombe, que escravizam os pigmeus e enriquecem através do contrabando. Conseguirão os repórteres restaurar a paz e justiça que existia nos tempos da Rainha Nana-Asante?

Embora considere o segundo volume da saga melhor, gostei deste livro. Somos confrontados com realidades do povo africano como as tribos, o contrabando e a exploração, e somos, mais uma vez, sensibilizados para o valor da amizade, transmitido por Alexander e Nadia. É interessante, pois ficamos a conhecer mais um pouco da África sub-desenvolvida de que não se ouve falar tanto, e alerta para a importância do espírito de união. Embora o fim pudesse ter sido diferente, está adequado ao fim da trilogia.

27
Jun19

"A Sara mudou de visual" – Maria Teresa Maia Gonzalez

Helena

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Este livro conta-nos a história de Sara, uma rapariga de dezoito anos que, para além de ir à escola e estudar para os exames, dá catequese e pequenas aulas num centro paroquial. Quando Sara e o seu irmão gémeo, Simão Pedro, fazem dezoito anos, esta faz à família e amigos uma revelação que os deixa espantados… Terá Sara mudado de visual? Se sim, por que razão o fez?

Na minha opinião, este livro não se adapta à atualidade, retratando jovens com vocações que, hoje em dia, não são tão comuns. A história não é muito cativante, sendo desde o início previsível que o desfecho seja aquele. Não é muito excitante, não existindo sequer uma reviravolta inesperada na acção. Para além disso, as personagens não são muito bem definidas, sendo por vezes apresentadas quando não voltam a surgir no enredo nem no desfecho. Assim, considero que este livro não se adequa muito às gerações atuais, que têm já outras mentalidades e interesses. Deixo, ainda assim, o desafio para quem quiser lê-lo, pois é possível que tenha uma opinião diferente da minha.

27
Jun19

"Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo" – Rick Riordan

Helena

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Percy Jackson é um rapaz problemático de doze anos que é sistematicamente expulso dos colégios que frequenta. Certo dia, descobre que, na verdade, é um semideus, filho de um deus grego e de uma mortal, e por isso não é como os outros rapazes. Os semideuses são constantemente perseguidos por monstros, por isso o único sítio seguro para eles é o Campo dos Mestiços, para onde Percy é levado pelo seu amigo Grover, o sátiro encarregado de o proteger. É no Campo que conhece Annabeth, Luke e Quíron, e começa a aprender a viver como um semideus. Mas depara-se-lhe um problema ainda maior: o raio mestre de Zeus foi roubado e Percy é o principal suspeito. Juntamente com Annabeth e Grover, parte numa aventura para recuperar o raio de Zeus até ao Solestício de Inverno, resolvendo o enigma do Oráculo, pois só assim será possível garantir a paz do Olimpo e da Humanidade.

Gostei muito deste livro. Tem uma linguagem muito simples e uma história cativante, a qual é enriquecida pelas referências à mitologia grega. Há passagens que fazem o leitor rir e outras que o põem nervoso, e a vontade de resolver o enigma motiva a ler mais e mais. O livro tem um final surpreendente e deixa-nos curiosos para conhecer a continuação da saga.

http://rickriordan.com/

27
Jun19

"Divergente" - Veronica Roth

Helena

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Divergente, de Veronica Roth, é um livro que conta a história de Tris, uma jovem de dezasseis anos, no seu processo de descoberta de si mesma e do que a rodeia.

Chicago é uma cidade isolada, que sobreviveu à Grande Guerra, a qual originou a desertificação do território que a rodeia. O funcionamento da sociedade baseia-se num sistema de fações, cada uma responsável por combater uma fraqueza humana: os Abnegados, o egoísmo, os Cândidos, a falsidade, os Cordiais, a maldade para com os outros, os Eruditos, a ignorância, e os Intrépidos, o medo. Tris é uma Abnegada que se sente presa e restringida na sua fação e decide, no dia da Cerimónia da Escolha, mudar-se para os Intrépidos, uma reviravolta drástica na sua vida. É lá que conhece Tobias, Christina, Al e Will, e que recebe a dura iniciação para integrar a sua nova fação. Mas Tris tem uma particularidade: consegue manter a consciência durante as simulações e até manipulá-las… Poderá essa capacidade revelar-se perigosa? E manter-se-á intacta a aparente harmonia do sistema social?

Gostei muito deste livro. É de fácil compreensão, com vocabulário simples. Empregam-se frases curtas e descrições em que parece que estamos a olhar através dos olhos da própria personagem, sendo a história narrada na primeira pessoa pela personagem principal, Tris. É empolgante e cativante, até viciante, dando vontade de rapidamente chegar ao fim. O primeiro livro da sua saga (seguido por “Insurgente” e “Convergente”, narrados por Tris, e “Quatro”, narrado por Tobias) deixa o leitor motivado e com curiosidade para descobrir os que lhe seguem. Um livro recomendado para quem gosta de ação, com um toque brilhante de romantismo.

17
Jun19

"As Luzes de Setembro" - Carlos Ruiz Zafón

Helena

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Simone Sauvelle e os filhos Irene e Dorian deixam a buliçosa cidade de Paris e mudam-se para a Normandia em busca de uma vida mais estável, dada a difícil situação posterior à morte do marido de Simone. Em Baía Azul (na Normandia), Simone recebe uma proposta de emprego em Cravenmoore, a residência de um antigo fabricante de brinquedos, onde este vive juntamente com a sua inválida mulher. Nessa casa trabalhava Hannah, uma rapariga mais ou menos da idade de Irene e irmã de Ismael, um rapaz solitário que dedica a maior parte do seu tempo ao seu veleiro Kyaneos. Certa noite, Hannah adentra-se pela ala oeste, expressamente proibida por Lazarus, o fabricante de brinquedos, e encontra uma espécie de quarto de criança que, contrariamente ao resto da casa, não tem nenhum brinquedo. Aí, depara-se com um frasco de vidro que contém uma estranha substância escura e, ao abri-lo, liberta um violento ser que a mata nessa mesma noite. A partir daí, a presença dessa sombra ameaça Baía Azul e põe em risco a vida dos Sauvelle para alcançar o seu alvo: Simone. Uma história de suspense, drama, amor, mistério e aventura numa pequena aldeia da Normandia, causada por um menino que entregou o seu coração sem pensar nas consequências que isso viria a ter...

Dos romances que compõem a Trilogia da Neblina, este foi aquele de que mais gostei. É o mais cativante e emocionante, e também o que mais se aproxima do clima misterioso de Marina. Encaixando a morte, a viuvez, o amor na adolescência, a amizade, a doença e a solidão, este romance tipicamente "zafoniano" pinta um quadro de ficção equilibrado e tentador. Ficamos, como é habitual, presos à história até descobrirmos o seu desenlace, e somos desafiados a encaixar as peças da história que os relatos das personagens ao longo da obra proporcionam. Transmite-nos o prazer, a aflição, a tristeza e a coragem das personagens, tão claros e palpáveis que parece que os conhecemos há muito tempo. A maneira de escrever simples e fluída, leve, mas por vezes profunda, acrescentam um toque especial ao prazer de ler e ao interesse do enredo.

Recomendo a leitura deste livro, embora não esteja ao nível de "Marina" e de "A Sombra do Vento".

"O mar tem destas coisas: devolve tudo passado algum tempo, especialmente as recordações."

17
Jun19

"Os meninos que enganavam os nazis" - Joseph Joffo

Helena

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Joseph Joffo, uma criança judia parisiense, é vítima de uma das maiores catástrofes da Humanidade: a 2ª Guerra Mundial. Juntamente com o seu irmão Maurice, sai de casa, deixando os pais, com o intuito de alcançar a zona livre e aí ficar seguro. Os irmãos tomam consciência da grande quantidade de pessoas afetadas pelo fenómeno nazi e depressa os meninos que jogavam ao berlinde no recreio têm de crescer e saber sobreviver sozinhos por caminhos desconhecidos. Joseph e Maurice conseguem manter-se à margem da tragédia e, à medida que o exército nazi avança, eles fogem das garras alemãs uma e outra vez. Uma história verídica, vivida pelo narrador, que retrata o cenário da França ocupada do ponto de vista de um menino, que se viu afetado por uma perseguição devida a algo de que ele nem compreendia o significado: ser judeu. Uma história de coragem, perspicácia e esperança numa altura em que reinava a ditadura, o racismo e o medo.

Neste livro, ao contrário do que eu esperava, não se relata a história de dois meninos que foram apanhados pelos nazis e conseguiram escapar de um campo de concentração. São, sim, duas crianças que se veem obrigadas a deixar a sua cidade-natal e que conseguem, por entre uma série de peripécias, evitar que os alemães os detenham e levem para aquele que tinha sido o destino de muitos. Achei muito interessante o facto de se tratar de uma história verídica, autobiográfica, e verifiquei mais uma vez a característica inocência da narrativa de crianças sobre a 2ª Guerra Mundial (ver O Rapaz do Pijama às Riscas). É um livro muito leve, muito distante da dura realidade dos campos de concentração, mas que não deixa de nos fazer pensar nas dificuldades que os judeus passaram e na tamanha injustiça que constituiu o antissemitismo nazi. No final, o autor acrescenta um posfácio para esclarecimento de dúvidas, em que refere algumas correções ao filme posteriormente realizado, por exemplo, a caracterização do pai ou da personagem do padre. Já tive oportunidade de ver (parte) do filme e, realmente, a adaptação poderia estar melhor.

17
Jun19

"The ABC Murders" - Agatha Christie

Helena

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Após a visita de Mr. Hastings a Hercule Poirot, este último recebe uma misteriosa carta que anuncia a aproximação de um assassinato, assinada por ABC. No dia previsto, realmente, ocorre um homicídio em Andover, em que morreu Mrs. Ascher. A este sucede-se o de Betty Barnard em Bexhill e o de Franklin Clarke em Churston, ambos previamente anunciados por ABC, num desafio ao próprio Poirot. O detetive analisa cada caso e interroga pessoas suspeitas, acumulando pistas e tentando constantemente perceber a mente do assassino, um suposto louco. Só depois do assassinato correspondente à letra D se avista luz ao fundo do túnel: o engano do homicida e a entrega à polícia de um homem com problemas mentais que esteve presente em todos os ataques que sucederam...

Gostei bastante deste livro. A sucessão de homicídios e a constante dúvida em relação ao próximo passo do maníaco captam a atenção do leitor, e a típica pista falsa faz-nos suspeitar do indivíduo errado até ao fim. As personagens são bem caracterizadas e alguns pormenores revelam-se importantes para o desfecho. O vocabulário é muito acessível, mesmo que na edição inglesa, e a narrativa é cativante. O primeiro livro que li desta autora, e que me deixou uma boa impressão e interesse para mais leituras do género.

 

17
Jun19

"O Monte dos Vendavais" - Emily Brontë

Helena

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"The Wuthering Heights", no seu original, conta a história da paixão entre Heathcliff e Catherine Earnshaw, um amor tempestuoso que afetará todos aqueles que rodeiam estas duas personagens. Heathcliff, adotado por Mr. Earnshaw, o chefe da família do Monte dos Vendavais, é por ele muito acarinhado e concentra a maior parte das suas atenções. Por isso, Heathcliff é posto de parte por Hindley, o filho mais velho de Earnshaw, mas estabelece uma relação próxima com Catherine, a filha mais nova. Contudo, as visitas da família Linton, a afeição demonstrada por Catherine em relação a Edgar Linton e a humilhação a que é sujeito pela parte de Hindley após a morte do pai levam Heathcliff a acreditar que o seu intenso amor por Catherine não é correspondido. Após esta casar com Edgar devido à sua situação económica, Heathcliff parte do Monte dos Vendavais para regressar anos depois, decidido a levar a cabo a sua vingança. Catherine tem um filho com Edgar e morre no parto, o que leva Heathcliff a desencadear o seu plano vingativo face a Hindley e a Edgar. Uma obra sobre amor e vingança que tem como plano de fundo as charnecas do Yorkshire.

Antes de iniciar a leitura, esperava que este livro se assemelhasse aos romances de Jane Austen que já tinha lido, e estava por isso um pouco reticente em relação ao prazer que teria ao lê-lo. Fui agradavelmente surpreendida quando descobri que se trata de um registo muito diferente do de Jane Austen, possuindo uma narrativa cativante que agarra o leitor desde o início. O vocabulário e estrutura não deixam de ser típicos de uma narrativa dos séculos XVIII-XIX, mas a escrita não é entediante nem “mastigada”, é fluída, fácil de entender e leva o leitor a interessar-se pela história. Esta, em si, tem um bom enredo, algo complexo em termos de relações entre as personagens e muito intenso nos sentimentos que elas nutrem umas pelas outras. O leitor fica interessado na história que se desenrola e complexifica, e quer chegar ao fim do livro o mais rapidamente possível para descobrir o desfecho da vingança de Heathcliff. Com alguma descrição, mas não excessiva, e diálogos expressivos, somos levados para o Yorkshire do final do século XVIII e partilhamos com as personagens os dramáticos acontecimentos do Monte dos Vendavais. Uma obra clássica e marcante da literatura inglesa, cuja leitura recomendo.

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