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H-orizontes

H-orizontes

30
Jun18

"O Teorema Katherine" - John Green

Helena

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Colin Singleton é um jovem prodígio com uma vida amorosa repetitiva e desastrosa. Durante a sua vida, namorou e foi deixado por 19 raparigas de nome Katherine. Destroçado pelo seu último fim de namoro, Colin decide partir com Hassan numa viagem de carro sem destino definido. Acabam, deste modo, por encontrar Gutshot, no Tennessee, e conhecer Lindsey e a sua mãe, Hollis. Esta última propõe-lhes um trabalho a entrevistar as pessoas da terra, que eles aceitam, pelo que Gutshot se torna o destino a que levou a inicial viagem de fim indefinido. Acabam por conhecer mais algumas pessoas da zona, e Colin debate-se com o pedaço que falta no seu interior, fruto da sua última separação. É neste cenário que o jovem prodígio tem o seu “momento eureka”, percebendo que seria possível existir um teorema que conseguisse representar o sucesso das relações amorosas consoante as características de cada um dos membros do casal, o que evitaria que ele ficasse de novo deprimido pelo final de outro namoro. Assistimos a uma mudança na maneira como Colin considera os seus princípios e percebemos que, afinal, ser importante a nível mundial não é uma condição essencial para a nossa felicidade.

Este livro não me impressionou muito. O enredo era previsível e a linguagem muito acessível (se é que é possível que exista linguagem demasiado acessível). Apesar de ser divertido, agradável pela sua simplicidade e com um final razoavelmente bom, a história não tem muito conteúdo nem é densa, apenas conta uma história linear e sem muitas reviravoltas. Apresenta uma lição de moral no fim, recorda-nos que não temos de ser populares para ser felizes, que cada um de nós é único à sua maneira mas que faz parte de uma globalidade da qual não se sobressai sempre. Além disso, confesso, fiquei com uma particular curiosidade em relação a anagramas e à “matematização” de fenómenos do nosso dia a dia. Penso que é um livro extremamente acessível que não chega aos calcanhares de A culpa é das estrelas, pelo que não considero que seja uma leitura prioritária e essencial tendo em conta a existência de obras melhores.

“Aquilo de que nos lembramos transforma-se no que aconteceu.”

“a nossa importância é definida pelas coisas que são importantes para nós.”

30
Jun18

"O Retorno" - Dulce Maria Cardoso

Helena

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O Retorno é um livro escrito por Dulce Maria Cardoso que retrata o regresso dos colonos portugueses de África, na perspetiva de um rapaz de 15 anos, Rui, que é obrigado a lidar com uma situação adversa naquela fase da vida em que o mundo é uma folha branca para escrever a história da nossa individualidade. Após o dia 25 de abril de 1974, as colónias começam a lutar pela sua independência, pelo que os negros perseguem os brancos, que são mortos ou obrigados a deixar o país. A família de Rui é das últimas a deixar Angola, e, pouco antes de deixar o país, militares negros surgem em frente da sua casa perguntando pelo “carniceiro do Grafanil”. Acabam por levar o seu pai, e ele, a mãe e a irmã têm de apanhar o avião para a “metrópole”, pois é uma oportunidade única. Assim, Rui assume o papel de homem de família, sentindo-se responsável pela mãe, que tem uma depressão, e a irmã, que apesar de ser mais velha fica mais abalada com a mudança do que ele. Assistimos à sua adaptação a uma nova realidade, que passa pela criação de novas amizades, mudança de hábitos, contacto com um clima diferente e um crescimento físico e mental face à nova situação em que se encontra.

Gostei muito deste livro. Permitiu-me conhecer melhor um período da História que eu associava apenas ao regresso dos portugueses das colónias, sem fazer ideia do clima de tensão que estes encontravam ao chegar à “metrópole”. O Retorno apresenta-nos o que foi vivido pelos retornados que saíram de uma situação de medo e perseguição para entrarem numa sociedade onde são discriminados e repudiados. O relato feito na primeira pessoa por um rapaz adolescente é muito expressivo, simples e claro, transmitindo-nos o seu medo, raiva ou euforia sem rodeios nem embelezamentos textuais. Entramos no mundo dos retornados do pós 25 de abril e somos agarrados pela história de Rui, do qual nos tornamos facilmente amigos. Uma leitura divertida, revoltante e emocionante que recomendo a todos.

“O sol pode cegar-te mas não te importes, se lhe voltas as costas a tua sombra esconde o que procuras” – Pág. 164

 

30
Jun18

"O Perfume - História de um assassino" - Patrick Süskind

Helena

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Jean-Baptiste Grenouille, órfão de pai e mãe, nasceu no meio dos odores nauseabundos do mercado de rua de Paris, rodeado de cabeças e tripas de peixe debaixo da banca onde a mãe trabalhava. Criado pela ama Madame Gaillard, Grenouille cresce desprovido de emoção e vai desvendando a sua capacidade extraordinária: um olfato muitíssimo apurado que lhe permite captar os cheiros de tudo o que o rodeia, incluindo o daquilo que as pessoas normais não cheiram (o vidro, o ar, o álcool…). Vagueando por Paris, aperfeiçoa o seu dote, sendo, até, capaz de guardar os cheiros na sua mente como se fossem livros numa biblioteca. Depois de trabalhar numa fábrica de curtumes, Grenouille consegue estabelecer-se numa perfumaria de Paris como aprendiz do mestre Baldini. Aí aprende as mais usadas técnicas de fabrico de perfumes, e contribui para a recuperação da reputação de Baldini. Não tardará a ambicionar produzir perfumes que sintetizem tudo aquilo que apenas o seu apurado nariz consegue cheirar. Contudo, as técnicas de Baldini não são suficientemente precisas para absorver tais odores. Por isso, dirige-se a Grasse, a cidade dos perfumes, com o objetivo de alcançar o seu sonho: criar um reino de odores que o torne poderoso em relação aos humanos inferiores que não conseguem alcançar a sua sensibilidade odorífera. É em Grasse que a história se adensa, com uma súbita vaga de assassinatos em circunstâncias invulgares…

Gostei imenso deste livro. O vocabulário é simples e as descrições permitem ao leitor perceber os cheiros que Grenouille apreende. A história não é muito complexa, tem um desenrolar fluido e um final surpreendente. Confesso que estive à espera dos assassinatos durante a maior parte do livro, mas os acontecimentos que os precederam não me deixaram desiludida nem diminuíram a minha vontade de continuar a ler. O fim é impressionante e inesperado, e compensa a espera. Depois de se ler este livro, até começamos a tentar cheirar tudo o que nos rodeia para tentar ser como o Grenouille!

Recomendo este livro a qualquer pessoa que goste de ler, pois penso que é uma leitura interessante e importante para a construção do nosso mundo literário.

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